26.3.09

Objectivamente na Subjectividade

Editorial do Jornal Escolar ATITUDES, nº56, ano 13, da Escola Secundária com Terceiro Ciclo, de Matias AiresTrabalhamos e vivemos, numa escola, com pessoas e para pessoas. Não somos uma empresa com fins lucrativos, não somos uma fábrica de tijolos, não pretendemos "formatar" jovens, ou fabricar números para fins estatísticos, talvez por esta razão todos os factos objectivos que aqui se (re)tratam sejam tão subjectivos. São experiências vividas, impossíveis de medir, de quantificar, de objectivar.
Tem sido um período lectivo farto de emoções, surpresas, desi-lusões, expectativas. Tempo de partilha, ora angustiante, ora revigorada pelos laços que se criam, num espaço como uma escola viva.
Não há ordem nos factos, mas talvez nos sentimentos. Com desalento, quantas vezes nos questionamos, perante a pequenez da nossa existência, quando nos vemos confrontados com situações dramáticas, que nos tocam o âmago - a alma.
Como reagir quando tomamos conhecimento que alguém que tem um sorriso doce, é inteligente e um comportamento irreprovável, até mesmo meritório, tentou por fim à sua própria vida??? Uma pessoa sensível, carinhosa, estimada... Ficamos devastados... E surgem as mais variadas evidências de solidariedade, provas de amizade, de amor, carinho, que não podem mostrar-se cientificamente, apenas se sentem, no silêncio respeitoso da intimidade, ou nas palavras confidenciais.
Como ficamos quando sabemos que um aluno perde a sua mãe, com pouco mais de 40 anos?? O que dizer a esse jovem, no abraço forte, sentido e meigo, depois desta tragédia incontornável??? Estar presente, é o mínimo. Partilhar algumas palavras de conforto, disponibilizar ajuda... mas quem pode ajudar??? Tudo soa a frase feita e de circunstância, ainda que as lágrimas teimem em soltar-se, mais uma vez nos assalta o questionamento sobre a nossa existência, sente-se o vazio, recordam-se outras perdas, a impotência... reina o silêncio conselheiro.
Como gerir os afectos, quando sabemos que a felicidade de alguém passa pelo afastamento, pela ausência anunciada??? Uma transferência, não é abandono escolar, não, uma necessária transferência de uma aluna doce, carinhosa, que nos abraça e beija com toda a pureza da adolescência por viver... criaram-se laços... como vamos dizer adeus???
Um dia destes veio à nossa escola, propositadamente, um ex-aluno, agora jovem trabalhador no activo, porque tinha saudades de alguns dos seus professores, da escola, dos conselhos, até dos conteúdos de algumas disciplinas (confidenciou-me), imagine-se!... e esta é uma situação recorrente, acreditem... são tantos os alunos que ficam com saudades e voltam para nos dar um abraço de estima e consideração...
E outros que nos reconhecem em locais onde nem imaginaríamos e dizem: "Foi minha professora lembra-se? Agora é que eu vejo como me portava naquele tempo... agora é que eu precisava ouvir o que me ensinava..."
Nada disto é mensurável, se pode provar, ou objectivar numa simples grelha, apenas se sente e vive.
Eu vou ter um objectivo mais explícito, no futuro (porque implícito já o é há muito): que nenhum aluno se esqueça de mim, que me recorde, porque o chamei à atenção, porque o incentivei, porque o corrigi, porque o aconselhei, porque o marquei... porque lhe disse o que não queria ouvir, mas precisava ser dito, porque o elogiei, porque o fiz trabalhar, porque não o ignorei... Não poderei mostrar evidências, mas não é disto que se trata, nestas relações bilaterais, de anos e anos de convívio, ora pacífico, ora orientador... trata-se de emoções, de preocupações, de sentidos, de caminhos cruzados...
Objectivamente não me recordo dos nomes, das classificações, mas recordo-me dos rostos, das atitudes, dos conflitos, dos consensos... subjectivamente sinto cada aluno como pessoa, à espera de encontrar o sentido dos seus passos, às vezes perdidos, outras orientados... mas nada disto se mede, é genuinamente subjectivo e jamais será objectivável.


Paula Cristina Lucas da Silva, co-coordenadora do ATITUDES, professora em avaliação, num modelo cheio de grelhas e em busca de evidências...

26.12.08

"Gardunha: Silêncios de Granito" - Apresentação na ESMA

Um Poema em Forma de Livro ou o Amor de uma Filha da Terra em Forma de Poema?
Integrada nas actividades da Mediateca e no âmbito da Feira do Livro que todos os anos se realiza na nossa escola, o dia 28 de Novembro foi palco da apresentação do primeiro, espero que de muitos livros da professora Paula Silva, uma das professoras de Filosofia da escola e coordenadora deste jornal há mais de uma década. Como colega, e principalmente como amiga, quis escrever o artigo de homenagem a este evento, mas a verdade é que, como diz o povo, ninguém é bom juiz em causa própria, por isso pedi a um dos presentes na bela cerimónia, que o fizesse. E aqui fica ele. Da minha parte, só posso estar orgulhosa de conviver tão de perto, e há tantos anos, com alguém tão inteligente, sensível, corajosa, lutadora, justa, amiga e excelente professora como é a professora Paula Silva e tenho a certeza que os seus alunos, antigos e actuais concordam comigo, assim como os colegas e amigos que com ela de perto convivem no dia-a-dia.
Madalena Garcia

A palavra fez-se poema, o poema fez-se livro, de memórias, momentos, vivências, que nunca se perdem no tempo, porque afinal nós somos isso mesmo, vivências, emoções, sejam alegrias ou tristezas, ou pura e simplesmente viver. Vi uma sala cheia de colegas, amigos, pais e alunos, amigos dos amigos, um poema musicado e nos olhos da Paula, vi as ruelas estreitas da aldeia de granito que um dia hei-de visitar, mas por elas já caminhei na poesia e nas fotografias, na sua obra em papel ou nos blogs. Compreendo e comungo desta saída da cidade-bulício, serras de betão, rios de lágrimas e desespero, em que os prédios fazem sombra às árvores enquanto estas morrem de pé. Do regresso às origens, das noites frias junto ao aconchego da lareira, do silêncio da serra, do grito desesperado à indiferença citadina, do som da banda em dia de procissão, em vez do ruído constante do trânsito, sirenes e mais sirenes, das paredes das casas que falam de mãos calejadas trabalhando pedra a pedra, erguendo casas, por homens a quem chamavam pedreiros, de gestos simples e precisos, seja granito ou basalto, cada vez mais a necessidade da calma, de paz, o regresso às origens, a fuga sem virarmos a cara ou fugirmos dos problemas. Somos filhos da pedra, basalto ou granito, ouves o som do riacho montanha abaixo, eu ouço o fragor do mar contra a encosta negra, o vento subindo o Pico, arredando nuvens, mostrando-o em toda a sua imponência, deixo-me ficar junto ao ribeiro que alimenta o mar, ouço o piar do milhafre pairando sobre a encosta, afago o musgo que cobre a rocha negra, veludo sobre a dureza da pedra, da vida. Põe-se o sol sobre o mar profundo, venha a noite sobre os mistérios da ilha maior. Cada um de nós precisa da sua Gardunha.

João Fernando


A Notícia
A Mediateca promoveu, integrada nas suas actividades, particularmente no decorrer da Feira do Livro, que todos os anos realiza, desta vez reforçada pela comemoração dos vinte anos da escola, a apresentação do primeiro livro de poemas da professora de Filosofia, Paula Silva, a que chamou Castanhas com Livros, no dia 28 de Novembro, pelas 20:30H, no Auditório da nossa escola. Foram convidados para o evento alunos e Encarregados de Educação, bem como os professores e restantes funcionários da escola. Estiveram presentes alunos, professores, pais e Encarregados de Educação, Auxiliares de Acção Educativa, a Associação de Pais, os presidentes, do Conselho Executivo e do Conselho Geral Transitório, entre outros amigos da autora.
A coordenadora da Mediateca, professora Gina Rodrigues, deu início à sessão, seguindo-se a apresentação de um PowerPoint onde se deu a conhecer um pouco da Vila de Alpedrinha (terra natal da autora do livro Gardunha: Silêncios de Granito), através de algumas fotos com versos do livro anunciado, ilustrando assim a razão de ser da publicação – uma homenagem à Vila e às suas gentes, local onde a professora Paula Silva nasceu, cresceu e viveu até aos dezassete anos, e onde ainda hoje procura refrescar a alma, nas fontes com água límpida, no granito secular trabalhado com gosto e na paisagem arrebatadora.
O Presidente do Conselho Executivo proferiu algumas palavras de elogio às actividades dinamizadas pela Mediateca e em particular a esta iniciativa, felicitando a professora Paula Silva pelo facto de nos brindar com uma obra poética e referindo algumas qualidades da professora no campo profissional, nomeadamente a sua dedicação à escola. Coube ao professor José Antunes apresentar a obra, salientado a criatividade poética dos versos e a necessidade do leitor encontrar no livro o não dito, os silêncios, e leu algumas partes do Prefácio do livro, da autoria do poeta e antropólogo Dr. Luís Filipe Maçarico, amigo da professora Paula Silva, que não pôde estar presente na sessão. A professora Paula Silva leu, de seguida um texto, depois de agradecer aos presentes, contou a história do livro e mostrou a gratidão para com os alunos do 11º 2 e 11º 3, entre outros presentes, do 11º 5 e 10º 4, pelo apoio que lhe deram, em especial aos que iam declamar poemas seus. Salientou ainda que cada professor é uma pessoa, e que nem sempre é possível conhecermos essa pessoa, mas que naquele livro não estava a professora, mas a pessoa, que tem as suas raízes em Alpedrinha mas que se orgulha de trabalhar na nossa escola, como fez questão que ficasse referido na contracapa do livro. Seguiu-se a declamação de poemas; primeiro na voz do professor José Antunes, que musicou um poema e o cantou para os presentes, acompanhando-se à guitarra, (o que emocionou a autora, pois foi uma surpresa e encantou o público); depois os alunos Ana Mata, Joana Sá e Everaldo Bento, declamaram alguns poemas, que agradaram igualmente o público; a terminar esta parte, a professora Ana Sérgio declamou também um poema, mas antes elogiou as qualidades humanas e profissionais da amiga Paula Silva, o que novamente comoveu a autora.
A professora Paula Silva finalizou a apresentação com novos agradecimentos, em especial aos alunos que declamaram os poemas e aos colegas José Antunes e Ana Sérgio, essencialmente pelas palavras de apreço ditas e pela beleza da melodia musical que o professor José Antunes colocou no poema escolhido, considerando que estava em consonância com o seu sentir. Ainda declamou para os presentes dois poemas, um do livro apresentado, e outro mais intimista, o que trouxe da assistência os últimos aplausos.
O público presente comprou o livro, que a autora autografou durante algum tempo, e foi convidado a deslocar-se à Mediateca para comer umas castanhas assadas, umas agualvas, chocolates, chá e café, entre outras iguarias que foram o pretexto para um saudável convívio, na continuação de um serão mágico que só acabaria já passava muito das 22:30H.

Fotos: João Fernando; Textos do Jornal ATITUDES, Escola Secundária de Matias Aires

14.11.08

Mais imagens da Manifestação de Professores que não (?) incomodou a Ministra




13.11.08

Eu Estive lá - Manifestação de Professores: 8 de Novembro

Eu estive lá!!!!! Garanto-vos que eram mais de 120.000... ainda que a Polícia não pudesse dar estimativas... das duas uma, ou foram instruídos nesse sentido, de não divulgar o número por ser mais do que se esperava, ou era mesmo tanta gente que nem mesmo estes especialistas, habituados a este tipo de cálculo, conseguiram ter noção de quantos eram...
Com civismo e boa disposição, apesar do cansaço e revolta, ficou bem claro que este Modelo de Avaliação não agrada a ninguém, por ser injusto, irresponsável, burocrático, anti-pedagógico e desestabilizador... ainda que a Ministra se esforce por dizer o contrário... Estes mais de 120.000 sabem bem o que não querem!!
Eu também estive lá... e estou com todas as formas de luta cívicas para acabar com esta indecência de avaliação sem critério, injusta, anti-pedagógica, contra esta propotência descarada e insultuosa contra os professores que dão todos os dias o seu melhor nas escolas e em casa, com trabalho árduo e muitos sacrifícios.
A insensibilidade destes governantes e a manipulação para fazer passar à opinião pública, menos informada, uma ideia errada de quem somos e o que fazemos é vergonhosa, num país dito democrático...
É o fim da cooperação entre professores, o princípio da competição insensível, a avaliação feita entre pares... quantas vezes os avaliadores são menos qualificados do que os avaliados? e sem qualquer competêcnia na área académica em que vão avaliar???... Os avaliadores também não se sentem bem nesta pele de lobo que os obrigaram a vestir, por muito cordeiros que queiram ser... Eu sou professora e posso avaliar os meus alunos porque tenho uma Licenciatura de quatro anos, uma especialização no Ramo de Formação Educacional, de dois anos, com estágio. Fui avaliada permanentemente, para provar que tinha as competências para exercer tal função, por quem tinha autoridade para me avaliar. Agora vai contar para a minha avaliação os próprios resultados dos alunos???!!!!! é incompatível... é jogo sujo... se tiver alunos desinteressados, sem capacidades, sem saberem português, por exemplo, faço o quê??? Por muito que me desdobre em estratégias, basta que o aluno não queira aprender para não atingir os resultados desejáveis... então prejudico-me avaliando-o com justiça ou penso na minha avaliação e até "passo a mão pelo pêlo" do menino difícil, adolescente imaturo... Nem quero pensar!!!!
Lutarei pelas vias que me forem possíveis... ponham na minha escola um manifesto, uma posição, um documento coerente e digno a correr, que eu assino... Temos que ser coerentes, se estivémos lá é porque discordamos, não sejamos hipócritas, temos que o mostrar por outras vias, ao próprio Ministério, por escrito, o que sentimos e o que pensamos.








As Fotos nos Combatentes 29 de Outubro de 2008

Algumas fotos para recordar como foi nos Combatentes:
Cadernos de Areia e Gardunha: Silêncios de Granito.

4.11.08

Dois Livros de Poesia, a mesma comunhão de emoções...

UM SERÃO inesquecível... 29 de Outubro de 2008
Amigos
Bem-Hajas a todos pela presença calorosa na tertúlia poética, nos "Combatentes" , onde dois livros foram partilhados, os "Cadernos de Areia", de Luis Filipe Maçarico, e o "Gardunha: Silêncios de Granito", de Paula Silva. O serão decorreu na magia da palavra cinzelada, dita e impressa, para que outros possam ter o prazer de viver connosco as emoções, os gestos, os momentos.... uns de areia outros de granito, são os silêncios da melodia do verso.
Aproveito para agradecer, mais uma vez, como o fiz naquele serão, a generosidade do poeta, antropólogo e amigo de sempre, Luis Maçarico, que me proporcionou divulgar o meu livro com o seu (no dia do seu aniversário), e assim podermos partilhar este momento nos "Combatentes".
Bem-hajas à Rosa Dias e à Maria Eugénia por terem declamado tão bem alguns dos meus poemas, mesmo sem termos combinado nada com antecedência... mas já haviam lido os meus versos na Capela do Leão, em Alpedrinha, em Setembro.
O Luis Maçarico fez a apresentação do meu livro e o Sr. Presidente da Junta dos Prazeres teve a gentileza de dizer algumas palavras muito agradáveis sobre a minha poesia.
Bem-hajas a todos pela vossa presença (em especial ao meu afilhado João Pedro e namorada, e ainda à minha colega e amiga Drª. Teresa Neves) pois sem aquele maravilhoso público, mais de uma centena de pessoas, não seria possível encontrar a magia da partilha e das emoções a comungar palavras, gestos, silêncios, granito e areia...
Ana Machado apresentou os "Cadernos de Areia" do poeta Luís Filipe Maçarico; foram magnificamente ditos poemas antigos do autor pelos actores Álvaro Pereira e Nádia Nogueira, e poemas em árabe por Tiago Bensetil. Actuou ainda um trio (Filipe, Sofia e Rita) da Casa do Concelho de Arcos de Valdevez, constituído por jovens que apresentaram em concertina algumas melodias do Minho. Estiveram presentes: o presidente da Junta de Freguesia dos Prazeres, a Direcção dos Combatentes, anfitriã calororosa, e vários dirigentes de colectividades de Lisboa, entre as quais a "Aldraba".
Foi um serão inesquecível.

(foto dos autores: Ana; foto parcial do público: Paula Silva)

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5.10.08

OLHAR POÉTICO- CD de Poesia Alentejana

Atenção à Apresentação do CD - OLHAR POÉTICO - Poesia Alentejana de Rosa Dias, no "Grupo Escolar e Dramático os Combatentes"- Lisboa, no dia 11 de Outubro, pelas 15:00H.
A alma genuinamente alentejana ouve-se no arrepio das rimas sentidas e no sotaque das raízes no gerundio das palavras quentes...
A não perder...

3.10.08

Apresentação dos livros - "Gardunha: Silêncios de Granito" e "Cadernos de Areia"

Estão todos Convidados para o Lançamento destes dois livros de Poesia.
Os "Cadernos de Areia" têm o aroma e sabor da Tunísia...
"Gardunha: Silêncios de Granito" é sobre Alpedrinha, a minha terra natal.
Apareçam e tragam amigos, todos serão bem-vindos.
Conto com a vossa presença, 4ª feira, dia 29 nos "Combatentes".

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25.9.08

Apresentação de "Gardunha: Silêncios de Granito" - Capela do Leão, 20 de Setembro de 2008 em Alpedrinha

Depois de um concerto de acordeão, pelo jovem músico Assertório, que foi muito aplaudido e encantou os presentes... veio o meu momento...
Primeiro imperou um misto de ansiedade, alegria, receio, as emoções à flor da pele, uma entrevista imprevista para a Rádio Cova da Beira; Rodeada de amigos e familiares, sem tempo para dar a atenção que todos mereciam. Gente próxima, amigos vindos de longe (surpresas, gestos, sorrisos, abraços, palavras de alento e felicitações, mensagens, telefonemas de tranquilidade, principalmente o da minha médica Drª Maria José Pinheiro)...
Aproximou-se a hora: 18:30H - Capela do Leão.

A capela, espaço intimista, estava cheia.

Na mesa reuni amigos: o Sr. Presidente da Junta de Freguesia, Francisco Roxo, também em representação do Sr. Presidente da Câmara; o amigo, poeta e antropólogo Dr. Luis Filipe Maçarico, e o amigo Dr. João Santos Costa (convidado de última hora), ex-autarca, ex-presidente do Conselho Directivo da Escola Secundária do Fundão, onde pela primeira vez leccionei e onde tinha sido aluna, ex-dirigente da Liga dos Amigos de Alpedrinha, com quem trabalhei para a Informação.

Discursaram: primeiro o Sr. Presidente da Junta de Freguesia, bem-hajas pelas palavras que emocionaram especilamente os meus pais e pela retrospectiva realista, bem como pela leitura e oferta da carta do Padre Manuel Igrejas, que não podendo estar presente me endereçou palavras de apreço e simpatia; depois a Mónia, representando a Liga dos Amigos de Alpedrinha, que colocou ao meu dispor a Instituição, com uma empatia e simpatia de registar. Discursou o Sr. Eng. José Alberto Franco, Presidente da Aldraba, recordou o facto de eu ser associada-fundadora, em defesa do património; o Sr. Dr. João Santos Costa, lembrando os meus tempos de estudante e colaboradora assídua da Informação da LAA, entre outros elogios generosos que agrdeço do coração. Por fim o Luis Maçarico leu o seguinte texto:

"Conheci Paula Cristina Lucas da Silva há mais de vinte anos. Estudante aplicada, repórter da ternura, que nesta terra escreveu sobre pessoas e lugares, com um olhar sempre criativo.
A sua poesia é resultado das vivências que Alpedrinha proporcionou e das saudades que o afastamento, por razões profissionais, originou.
Professora de Filosofia, no Cacém, onde reside, Paula Cristina, dedica os seus primeiros versos publicados à vila onde nasceu, berço dos seus ancestrais, sítio da sua infância de descobertas e brincadeiras.
Até chegar a esta meta tão importante, a nossa poetisa incentivou nos jovens o prazer da escrita e da leitura, animando o jornal escolar que dirige, como entusiasticamente já colaborara, anos a fio, no jornal da Liga dos Amigos de Alpedrinha.
Com os seus olhos subi a Gardunha, encontrando novos motivos para voltar. Deixemo-nos então guiar nesta viagem fascinante que é o livro da Paula.
Este trabalho que hoje nos oferece, neste templo, neste evento, diante dos seus conterrâneos e amigos, é o corolário de um sonho.
Os Encontros de Poesia, dinamizados pelo Sr. Francisco Roxo trouxeram-na enquanto poetisa, de volta ao seu mundo original. O desafio que ele e eu lhe fizemos proporcionou este “Gardunha: Silêncios de Granito”, um livro que é um hino à serra, à pedra, às pessoas, que habitam este lugar mágico.
A poesia, numa festa tão bonita, é o melhor pretexto para darmos este abraço redondo à Paula, por ter voltado com tão belo ramalhete de emoções. Com esta pegada sensível, estes poemas que são água para a nossa sede."
[Texto do amigo, poeta e antropólogo, Dr. Luís Filipe Maçarico, na apresentação do livro de poemas “Gardunha: Silêncios de Granito”, a 20 de Setembro de 2008, na Capela do Leão, Alpedrinha, incluído na programação da Feira dos Chocalhos 2008.]

Depois foi o meu tempo, de agradecimentos e emoções, improvisei alguns agradecimentos às minhas amigas Anabela Campos e Anabela Adrião, pelos mais de 200 kilómetros palmilhados para a partilha do momento, li um texto curto para agradecer todas as presenças, desde as anónimas, aos amigos e familiares, às instituições representadas, entre elas a Alma Alentejana, pelo Avó e Nazaré, e ainda um lamento pela ausência das restantes forças vivas da nossa terra. Contei a história do meu livro de poemas.

Vieram em seguida os poemas nascidos do silêncio do granito da minha Gardunha, primeiro na voz da Maria Eugénia (da Aldraba) e depois na voz alentejana da poetiza Rosa Dias. Os aplausos encheram a capela e ecoaram na minha alma. Bem-Hajas amigas por terem dado voz aos meus "silêncios".

Eu terminei lendo também três poemas deste livro e não resisti à tentação... li um poema, "Incompleto", dedicado ao meu afilhado André, escrito em 1999, era ele um bébé de colo... e neste dia 20 de Setembro de 2008 estava radiante, a tirar fotos à madrinha, com um sorriso largo, envaidecido por ter acompanhado o nascimento deste livro (tem nove anos).

Deixo algumas fotos e o agradecimento a todos quantos partilharam comigo estas horas mágicas, e o registo de que autografei mais de cinquenta exemplares, até cerca das 21:00H, com todo o prazer, ouvindo palavras simpáticas e elogios rasgados que me emocionaram até hoje...

BEM-HAJAS a todos.

Beijos especiais às Anabelas, à Rosa Dias e marido António, à Margarida e marido José Alberto Franco, ao Avó e esposa Nazaré, às minhas sobrinhas, Catarina e Patrícia, pelas fotos tiradas e filmagem (um agradecimento particular à Carmita pelo empréstimo da máquina de filmar), e como não podia deixar de ser ao grande amigo Maçarico e ao meu marido, o Paulo, que esteve sempre presente, preocupado, emocionado e orgulhoso...

O meu texto de Apresentação do livro fica para depois... talvez... se os leitores estiverem interessados...
Fotos: André Campos

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11.9.08

CHOCALHOS 2008 - ALPEDRINHA - A não perder!!!

Texto retirado e adapatado do Blog: http://alpedrinhanews.blogspot.com/ do amigo Fernando Pires.

Os CHOCALHOS 2008 realizam-se em Alpedrinha nos dias 19, 20 e 21 de Setembro (e há muito que estão em preparação).

As tasquinhas começam a ser decoradas com o requinte com que Alpedrinha já habituou os seus visitantes. O fantástico e animado programa dos três dias de TRANSUMÂNCIA está praticamente concluído e será o seguinte:
*19 Setembro Concertos – Animação de Rua - Tasquinhas
19h00 Ruas de Alpedrinha: Abertura com os Zabumbas de Alpedrinha
DESFILE com Pifaradas de Álvaro Bombos do Alcaide Tok’Avacalhar
Acordeonistas Tuna Velha Gaiteira (gaita de foles)
ISHBARIAN - BAGPITE (gaita de foles)
Rancho Folclórico da Soalheira
Cantares ao desafio
22h00 Alpedrinha - Largo da Fontainha - Concerto - NO MAZURCA BAND
*20 Setembro Alpedrinha
10h30 Ruas de Alpedrinha - Arruada pelos Chocalheiros de Vila Verde de Ficalho
Arruada pelo grupo de Concertinas da Barrenta
DESFILE com Zabumbas de Alpedrinha
Bombos do Alcaide
Concertinas da Barrenta
Chocalheiros de Vila Verde de Ficalho
Tok’Avacalhar
Tuna Rancho Folclórico do Fundão
Grupo de Música Popular de Alpedrinha
Cantares ao desafio
Velha Gaiteira (gaita de foles)
ISHBARIAN - BAGPITE (gaita de foles)
Capela do Leão:
18h30 - LANÇAMENTO DO LIVRO de Poesia “Gardunha: Silêncios de Granito”
de Paula Silva
22h00: LANÇAMENTO DE CD "Olhar Poéico", poesia alentejana de Rosa Dias
Largo da Fontainha - Concerto - MILHO VERDE
24h00 Alpedrinha - Largo da Fontainha - Concerto - OLIVERTREE
21 Setembro Concertos – Animação de Rua - Tasquinhas
08h00 Fundão - Alpedrinha: CAMINHADA COM REBANHO
11h00 Fundão - Alpedrinha: DESFILE DE CÃES DE GADO
Arruada pelos Chocalheiros de Vila Verde de Ficalho e Concertinas da Barrenta
16h00 Alpedrinha - Capela do Leão - Colóquio - CONVERSAS TRANSUMANTES Dirigidas por Maria João Centeno, com José Alberto Ferreira (Festival Escrita na Paisagem), Manuel Sanchez Ambrosio (Festival Pán) e Rui Sena (Quarta Parede)
17h30 Alpedrinha
DESFILE com: Zabumbas de Alpedrinha
Bombos do Barco
Bombos do Alcaide
Tok’Avacalhar
ISHBARIAN - BAGPITE (gaita de foles)
Chocalheiros de Vila Verde de Ficalho
Concertinas da Barrenta
Rancho Folclórico Tuna
21h30 Igreja Matriz - Concerto - TAMBORINOS MUY GENTIL
De referir que em paralelo se irão celebrar as Comemorações da Vida e Obra do Cardeal D. Jorge da Costa (Cardeal de Alpedrinha) nos dias 19 e 20 de Setembro, que contará com a presença do Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José da Cruz Policarpo .
Aproveite para visitar Alpedrinha (a beleza histórica, arquitectónica e ambiental - os monumentos, museus, capelas, as ruas características, o granito das fontes, a água saborosa... os recantos mágicos desta Vila...) e não perca mais uma edição deste evento, caracterizado pelo convívio entre as gentes, a prova de produtos regionais, mostra de artesanato da zona e a genuina partilha e acolhimento das gentes da Beira, ao som dos chocalhos, pífaros, bombos, gaitas de foles e acordeões que irão ecoar pelas ruas da "Sintra da Beira", numa animação de rua verdadeiramente alucinante.
Fotos (Paula Silva): O Pastor Ti Lopes, de Alpedrinha; Capela do Leão (Rua Corrente onde decorre a animação)